A MODA ESCOLHEU QUEM QUER VESTIR!
Este post será um morde e assopra…
Quem me acompanha sabe que trabalho diariamente com acesso directo ao cliente e nisso há uma frase que oiço com uma frequência impressionante… “vocês não fazem roupas para os fortes…”
Na realidade, e até o que me fez explorar este assunto foi o facto de muitas vezes eu ver alguns clientes a chegar à loja e sem sequer dizerem uma única palavra eu já sei que não tenho tamanhos para eles, seja de que peça for.
Principalmente fatos!
Aí eu fico a pensar o quão difícil é a tarefa de encontrar determinados números.
Neste post vou falar apenas do universo masculino, porque é aquele que tenho mais contacto e experiência.
Há algum tempo partilhei um vídeo do Proff onde ele dizia, de forma provocadora, que “os fatos não são para bodybuilders”.
Não é exatamente o tema de hoje mas enquadra-se e vou usar como ponto de partida.
Podemos olhar para esta questão apenas do ponto de vista estético mas também podemos esmiuçar outros pontos de forma legítima, e obviamente a pergunta que toda a gente faz, é “porquê os designers não criam para pessoas fortes ou plus size? “
Minha opinião
Well, há uns 6/9 anos atrás parecia que estávamos a caminhar para mais inclusão (houve até o aparecimento de algumas modelos plus size que ficaram bem famosas) mas hoje em dia, parece que esse assunto regrediu, pelo menos eu sinto isso.
A sustentabilidade veio tirar o lugar da inclusão (será?).
Realmente o que é bonito ou não, é mesmo relativo e discutível mas há uma verdade que existo no mundo da moda que é dificil de ignorar: quem cria as colecções também dita tendências.
Designers, diretores criativos, stylists, revistas e fashionistas mesmo sem verbalizar, eles realmente ditam quais os padrões a caminhar.
De outra forma, também podemos debater a nível de ‘overhead’ no fabrico, ou seja, existe uma crença que produzir tamanhos maiores implica mais tecido, mais testes de modelagem e muitas vezes alterações significativas na construção das peças, assumindo de que os corpos plus size apresentam maior diversidade de proporções e tornar a produção menos previsível.
image by pinterest
Também tem um ponto de vista empresarial, algumas marcas consideram esse investimento demasiado arriscado e optam simplesmente por produzir o mínimo necessário.
“They don’t care much about it”
Sobretudo no segmento do luxo, muitas marcas de alta gama, preferem manter os tamanhos pequenos para cultivar exclusividade e definir a atractividade através da imagem idealizada de um corpo perfeito.
E aí é que é mais “chato”… uma vez que as marcas de luxo estão no topo da pirâmide acaba depois por influenciar tudo que vem abaixo, principalmente as fast fashion que têm a força de chegar às massas.
É uma escolha mas também é uma mensagem.
Embora as justificações acima possam até ter alguma lógica, penso que o factor importante está noutro lugar.
Vestir bem corpos maiores não passa apenas por aumentar centimetros a um molde já existente, exige também repensar nos cortes, contrução e caimento.
Aí é que está o barulho.. ou seja, exige desenhar desde o inicio do processo criativo e não “dar tecido” e adaptar no fim.
Os designers têm um poder enorme de ditar tendências, mudar percepções, empoderar e fazer a dita revolução… and they know this !